Publicado em: 9 de maio de 2026
Fratura Patológica e o direito ao Auxílio-Acidente
Sofrer um acidente ou desenvolver uma doença ocupacional que resulte em sequelas permanentes é uma situação que vai muito além do impacto na saúde. Quando a fratura patológica deixa limitações que reduzem a capacidade de trabalho, o auxílio-acidente (benefício B94) surge como uma indenização fundamental prevista na Lei 8.213/91.
Neste artigo, abordamos em profundidade a relação entre a fratura patológica e o direito ao auxílio-acidente, explicando os requisitos legais, as diferenças em relação ao auxílio-doença, a documentação necessária, a importância do nexo causal e o que fazer quando o INSS não concede a conversão automática do benefício.
A condição classificada como Transtornos da continuidade do osso (CID M84), com subcódigos como M84.0 Consolidação imperfeita de fratura; M84.1 Não-consolidação de fratura (pseudoartrose); M84.2 Consolidação retardada de fratura; M84.3 Fratura de estresse NE; M84.4 Fratura patológica NE, pode fundamentar o pedido de auxílio-acidente (B94) quando resulta em sequelas permanentes com redução da capacidade laborativa. O benefício equivale a 50% do salário de benefício e é pago junto com o salário até a aposentadoria.
Neste artigo você vai encontrar:
- Entendendo a fratura patológica e suas sequelas permanentes
- O auxílio-acidente na legislação previdenciária
- Acidentes e situações que podem causar fratura patológica
- O código CID M84 e as classificações médicas
- Os requisitos legais para o auxílio-acidente
- O nexo causal entre a fratura patológica e as sequelas
- Quando a fratura patológica gera direito ao auxílio-acidente: exemplos práticos
- A documentação necessária para comprovar o direito
- A perícia médica e a comprovação das sequelas permanentes
- A cessação do auxílio-doença e a conversão em auxílio-acidente
- A busca por orientação jurídica especializada
1. Entendendo a fratura patológica e suas sequelas permanentes
A fratura patológica, classificada no CID-10 como M84, é uma condição que pode resultar em sequelas permanentes capazes de reduzir a capacidade de trabalho do segurado. No contexto do auxílio-acidente, o que importa não é a doença em si, mas as consequências duradouras que ela deixa no organismo após a consolidação do quadro clínico.
Quando fratura patológica deixa sequelas permanentes que reduzem a capacidade de trabalho, o segurado pode ter direito ao auxílio-acidente. A chave é demonstrar que, após a consolidação do quadro clínico e o término do tratamento, persistem limitações funcionais que impedem o exercício pleno das atividades profissionais anteriores.
É fundamental compreender que o auxílio-acidente não exige incapacidade total. Basta que haja redução permanente da capacidade para o trabalho que o segurado habitualmente exercia. Mesmo que a pessoa consiga trabalhar em outra função, o direito ao benefício persiste se houver redução em relação à atividade anterior.
2. O auxílio-acidente na legislação previdenciária
O auxílio-acidente está previsto no artigo 86 da Lei 8.213/91, que dispõe: o auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao segurado quando, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia.
Diferentemente do auxílio-doença (B31), que é temporário e substitui a renda durante o afastamento, o auxílio-acidente (B94) é pago junto com o salário, sem exigir afastamento. Seu valor corresponde a 50% do salário de benefício e é mantido até a aposentadoria do segurado.
Podem receber o auxílio-acidente: empregados com carteira assinada, trabalhadores avulsos e segurados especiais. Contribuintes individuais e facultativos, em regra, não têm direito, salvo decisão judicial favorável.
3. Acidentes e situações que podem causar fratura patológica
Diversas situações podem levar ao desenvolvimento de fratura patológica. Conhecer os cenários mais comuns ajuda a entender se a sua situação pode ter relação com o trabalho. Veja alguns exemplos:
- Pedreiro que caiu de andaime no canteiro de obras e sofreu fratura patológica, precisando de cirurgia com colocação de placas e parafusos
- Motociclista que sofreu colisão no trajeto casa-trabalho e teve fratura patológica, ficando meses afastado para recuperação
- Estoquista que teve material pesado caindo sobre o corpo durante a organização do depósito, resultando em fratura patológica
- Ciclista que sofreu queda durante o deslocamento para o trabalho e teve fratura patológica com necessidade de imobilização prolongada
- Pessoa que sofreu queda em casa, escorregando na escada, e teve fratura patológica com complicações na consolidação
Cada uma dessas situações pode, dependendo das circunstâncias, configurar acidente de trabalho, acidente de percurso ou doença ocupacional para fins de auxílio-acidente.
4. O código CID M84 e as classificações médicas
Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a fratura patológica está registrada sob o código M84. Essa classificação é essencial nos documentos médicos apresentados ao INSS, pois permite ao perito identificar com precisão a condição e suas possíveis sequelas.
Os subcódigos mais relevantes incluem: M84.0 Consolidação imperfeita de fratura; M84.1 Não-consolidação de fratura (pseudoartrose); M84.2 Consolidação retardada de fratura; M84.3 Fratura de estresse NE; M84.4 Fratura patológica NE; M84.8 Outros transtornos de continuidade do osso; M84.9 Transtorno NE de continuidade do osso. Cada subcódigo identifica uma manifestação específica, e alguns estão mais associados a sequelas permanentes do que outros. A correta identificação fortalece o pedido de auxílio-acidente.
Além do CID da condição original, é importante que os documentos médicos descrevam especificamente as sequelas resultantes e como elas se relacionam com a redução da capacidade laboral.
5. Os requisitos legais para o auxílio-acidente
O auxílio-acidente exige a comprovação simultânea de três requisitos: (1) qualidade de segurado no momento do acidente ou diagnóstico da doença ocupacional; (2) sequela permanente que reduza a capacidade para o trabalho habitual; e (3) nexo causal entre o acidente ou doença e as sequelas.
O auxílio-acidente NÃO exige carência mínima de contribuições, conforme o artigo 26, inciso I, da Lei 8.213/91. Basta que o segurado tenha essa qualidade no momento do fato gerador.
A sequela deve ser permanente, ou seja, persistir após o tratamento e a consolidação do quadro. Sequelas temporárias justificam o auxílio-doença enquanto persistirem, mas não geram direito ao auxílio-acidente.
6. O nexo causal entre a fratura patológica e as sequelas
O nexo causal entre a condição e o trabalho pode ser estabelecido por meio da CAT, do NTEP ou por comprovação judicial. A documentação médica e o histórico profissional são elementos fundamentais.
Quando a condição decorre diretamente das atividades laborais ou do ambiente de trabalho, o nexo é mais facilmente reconhecido.
Acidentes de percurso (trajeto casa-trabalho) e doenças agravadas pelas condições de trabalho também podem configurar nexo para fins de auxílio-acidente. A comprovação pode ser feita pela CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), pelo NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário) ou por decisão judicial. Quando o NTEP se aplica, há inversão do ônus da prova: o INSS deve demonstrar que a doença NÃO tem relação com o trabalho.
7. Quando a fratura patológica gera direito ao auxílio-acidente: exemplos práticos
Para ajudar a identificar se a sua situação pode dar direito ao auxílio-acidente, veja exemplos práticos de quando a fratura patológica gera o benefício:
- Trabalhador que sofreu fratura patológica e ficou com pseudoartrose (não consolidação), com dor crônica e limitação de movimento permanentes
- Motociclista que teve fratura patológica e ficou com placa e parafusos, com limitação permanente de amplitude de movimento na região
- Estoquista que teve fratura patológica e permanece com rigidez e perda de força que impedem carregar e organizar mercadorias
- Profissional que sofreu fratura patológica e desenvolveu artrose pós-traumática, com dor crônica ao movimentar a região
- Trabalhador que teve o auxílio-doença cessado após fratura patológica, mas continua com limitação funcional comprovada por exames
Cada caso possui suas particularidades e deve ser analisado individualmente, considerando a profissão exercida, a extensão das sequelas e a documentação disponível. Se você se identificou com algum desses cenários, busque orientação profissional.
8. A documentação necessária para comprovar o direito
A documentação para o auxílio-acidente deve comprovar três elementos: o acidente ou doença original, as sequelas permanentes e o nexo causal. Os documentos essenciais incluem: CAT, laudos médicos com CID M84 e descrição detalhada das sequelas, exames complementares, relatórios de tratamento e atestado de consolidação das sequelas.
Em relação a fratura patológica, é particularmente importante que os laudos descrevam a condição original, o tratamento realizado, as sequelas que persistiram e como elas reduzem a capacidade para o trabalho habitual. A comparação entre a capacidade anterior e a atual é um elemento importante.
O PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) e o LTCAT (Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho) também são documentos valiosos, especialmente em casos de doença ocupacional.
9. A perícia médica e a comprovação das sequelas permanentes
A perícia médica do INSS para o auxílio-acidente foca na avaliação das sequelas permanentes e na sua relação com a redução da capacidade laboral. O perito deve verificar se as lesões estão consolidadas, se há nexo com o acidente ou doença ocupacional, e se as sequelas efetivamente reduzem a capacidade de trabalho.
No caso de fratura patológica, o perito avaliará a extensão das limitações funcionais comparando-as com as exigências da atividade profissional. É fundamental relatar de forma clara todas as limitações que o segurado continua enfrentando no dia a dia.
Uma das principais causas de negativa é a perícia concluir que não há sequela permanente. Laudos médicos robustos e atualizados que comparem objetivamente a condição antes e depois do acidente são particularmente eficazes.
10. A cessação do auxílio-doença e a conversão em auxílio-acidente
Um ponto que muitos segurados desconhecem: quando o auxílio-doença (B31) cessa e restam sequelas permanentes, o INSS deveria automaticamente converter o benefício em auxílio-acidente (B94). Na prática, isso frequentemente não acontece. O segurado recebe alta e fica sem benefício.
O artigo 86, §2º, da Lei 8.213/91 prevê expressamente essa conversão. Se o INSS não a realizou, o segurado pode ter direito ao benefício retroativo desde a data da cessação. Quanto mais tempo se passa, maior pode ser o montante acumulado a que faz jus.
Se você teve o auxílio-doença cessado e ainda convive com sequelas permanentes que limitam sua capacidade de trabalho, é importante saber que o prazo para buscar esse direito pode ainda estar vigente.
11. A busca por orientação jurídica especializada
Diante da complexidade do auxílio-acidente e da frequência com que o INSS deixa de concedê-lo ou convertê-lo automaticamente, a orientação de um advogado especializado em Direito Previdenciário é altamente recomendável.
Na via judicial, o segurado será submetido a nova perícia conduzida por perito independente nomeado pelo juiz, que tende a ser mais detalhada e imparcial. O advogado pode formular quesitos específicos para fratura patológica que direcionem a análise pericial.
Se você sofreu acidente de trabalho ou desenvolveu doença ocupacional que deixou sequelas permanentes, ou se seu auxílio-doença foi cessado com sequelas comprovadas, busque avaliação profissional. Cada caso merece análise individualizada.
Precisa de ajuda com seu benefício?
Nossa equipe especializada em Direito Previdenciário está pronta para analisar o seu caso e orientar sobre os próximos passos para garantir seus direitos junto ao INSS, incluindo a conversão do auxílio-doença em auxílio-acidente.
FALAR COM UM ESPECIALISTA